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Cinema e Fé

A Santa Sé sempre manteve seus olhos para as diversas formas de arte, não à toa, há no próprio Vaticano diversas obras de arte que estão aos cuidados da Igreja: pinturas, esculturas, livros, que a tantos causam espanto pela tamanha beleza de cada obra, que influenciou gerações e mais gerações.

Com o surgimento do cinema — difundido pelo cinematógrafo criado pelos irmãos Lumière — aconteceu uma nova forma de fazer arte. Todos poderiam ver histórias emocionantes em uma tela ou parede, poderiam ir à Lua juntamente com Georges Méliès em seu filme La lune à un mètre (1898). O que antes era possível na descrição de livros ou desenhos no papel, agora eram imagens de pessoas reais como cada espectador, fazendo com que a imaginação tomasse corpo, rosto e movimento.

O espanto causado, em conjunto com o avanço da tecnologia e a ampla difusão do cinema no mundo, também chamou a atenção da Igreja. Cada filme pode ser um instrumento de crescimento, mas também pode ser uma pedra de tropeço, foi esta a conclusão a que se chegou. E a Igreja Católica, que é Mãe e Mestra, não poderia ficar olhando silente a situação e deixar que seus filhos fossem desviados do reto caminho.

Em 29 de junho de 1936, o Papa Pio XI lançou a Carta Encíclica Vigilanti Cura, que trata especificamente do cinema. No documento, o Papa já falava da preocupação da Igreja diante dos avanços da sétima arte:

Com efeito, é mui necessário e urgente cuidar para que os progressos da ciência e da arte, e mesmo das artes da indústria técnica, verdadeiros dons de Deus, sejam dirigidos de tal modo à glória de Deus, à salvação das almas, à extensão do reino de Jesus Cristo sobre a terra, que todos, como a Igreja nos faz rezar, ‘aproveitemos os bens temporais de modo a não perder os bens eternos’. Ora, facilmente todos podem verificar que os progressos do cinema, quanto mais maravilhosos se tornam, mais perniciosos foram para a moralidade e para a religião, e mesmo para a honestidade do Estado civil.

A Encíclica fala da importância do cinema como meio de diversão e alerta para os riscos da má influência, além de apresentar propostas para que a arte não seja utilizada como instrumento de degradação religiosa, moral e civil.

Quem diria que a Igreja iria se preocupar com o cinema, a ponto de ter um documento sobre o assunto?! Muitos desconhecem este documento e olham o cinema como uma coisa banal, até porque, hoje, inúmeros filmes são criados todos os anos, milhões de espectadores passam pelas salas de cinema. É algo que praticamente está no dia a dia da sociedade, mas também ainda hoje (diríamos, principalmente hoje) as preocupações expostas pelo Papa Pio XI são válidas, senão até mais importantes!

Não é incomum encontrarmos filmes que se vistos sem primeiro ter a Cristo como princípio, podem desviar tantas pessoas do reto caminho. Algumas vezes, são pequenas coisas colocadas na tela que passam quase despercebidas e que têm o poder de influenciar cada espectador para o bem ou para o mal.

Essa preocupação se manteve na Igreja mesmo com as sucessões papais, tanto que, em 1995, o Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais apresentou uma lista de filmes indicados pelo Vaticano, sendo categorizados  pela importância em matérias religiosas, artísticas ou morais.

Alguns podem achar estranho ter filmes como Gandhi (1982), Nosferatu (1922) ou 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) na lista, mas a ideia do Vaticano era exatamente mostrar que mesmo filmes sem cunho religioso podem servir como diversão, e até mesmo nos trazer exemplos de valores morais.

Diante do exemplo desta lista apresentada pela Santa Sé e das preocupações do Papa Pio XI, nós do Projeções de Fé, assumimos a missão de trazer um pouco de luz sobre as produções da sétima arte sob a ótica dá Fé Católica, para destacar valores e exemplos, trazer reflexões diante da doutrina da Igreja, e até mesmo alertar aos perigos das produções.

Os filmes são uma grande diversão, mas também podem ser uma forma de evangelizar ou de aprendizado. Que neste dia nacional da cultura possamos refletir sobre aquilo que a Igreja nos ensina (Carta Encíclica Vigilanti Cura):

“As boas representações podem, pelo contrário, exercer uma influência profundamente moralizadora sobre seus espectadores. Além de recrear, podem suscitar uma influência profunda para nobres ideais da vida, dar noções preciosas, ministrar amplos conhecimentos sobre a história e as belezas do próprio país, apresentar a verdade e a virtude sob aspecto atraente, criar e favorecer, entre as diversas classes de uma cidade, entre as raças e entre as várias famílias, o recíproco conhecimento e amor, abraçar a causa da justiça, atrair todos à virtude e coadjuvar na constituição nova e mais justa da sociedade humana.”

Então, fique de olho nas produções que pretende assistir. Procure informações sobre o filme, veja o trailer, leia matérias sobre a produção, encontre entrevistas com o diretor e atores que falem sobre as intenções do filme.

Que não sejamos omissos em alertar conhecidos dos riscos de cada filme, ou enaltecer suas qualidades. Para isso, pedimos a intercessão de São João Paulo II, que na juventude foi artista e, como Papa, manteve os olhos sobre os artistas e suas produções (Carta aos artistas, de 1999), para que consigamos enxergar o que nos é importante no cinema.

Fonte: Com. Shalom

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