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Vamos conversar?

Já reparou como ultimamente estamos tão ocupados? Estamos sempre as voltas com nossos

smartphones, nossos tablets, nossos laptops, sempre com algum texto para editar, alguma

planilha para criar, alguma mensagem para enviar, uma imagem para compartilhar, uma

postagem para curtir e comentar… Ufa. Quanto trabalho.

Não temos mais tempo para conversar olhando nos olhos uns dos outros, estamos perdendo

aos poucos a capacidade de interagir e essa situação tem causado sérias consequências em

nossas casas, em nossas famílias.

Me recordo em um passado não muito distante, que todas as casas tinham algumas cadeiras

nas varandas e até mesmo haviam situações em que essas cadeiras acabavam parando nas

ruas nas épocas de calor e as famílias se reuniam para fazer algo fantástico: conversar!!!

Há alguns dias que conversei com uma  amiga por meio de um aplicativo e fiquei

impressionado com a agilidade com a qual ela digitava, mal eu terminava de enviar uma

mensagem ela já tinha a resposta pronta, porém tive a oportunidade de encontrá-la

pessoalmente e por incrível que pareça a conversa não fluiu, ficou claro para mim que de fato

estamos perdendo a capacidade de interação. Quantos dos nossos jovens estão vivendo num

verdadeiro estado de reclusão, cada vez mais fechados e isolados.

E quando essa realidade se revela dentro de nossas casas isso toma proporções muito mais

amplas. Pais não falam mais com seus filhos, filhos não interagem mais com os pais. E quando

essa comunicação é interrompida acabamos por perder algo que é sagrado diria até litúrgico, a

partilha da vida. Quando um filho tem abertura para partilhar com seus pais suas dúvidas e

aspirações tem a feliz possibilidade de serem firmados na escola do testemunho e exemplo

pessoal.

Cabe porém a nós que somos pais e responsáveis a missão de proporcionar os momentos para

essa partilha acontecer. Ouvi certa vez uma expressão que achei forte porém muito real: “Há

muitas crianças e jovens que são órfãos de pais vivos”. Como pais e responsáveis precisamos

ter a atitude de sair da comodidade em que estamos e começar a demonstrar interesse por

aquilo que vivem, passam, sentem e sonham os nossos filhos.

Precisamos resgatar a profundidade em nossos diálogos, quando nos omitimos nessa questão

nós acabamos abrindo espaço para que os nossos filhos procurem fora os direcionamentos e

conselhos que precisam nessa aventura pela qual passam que é o amadurecimento físico e

psicológico.

Todos nós temos os nossos compromissos, as nossas ocupações, nos cansamos, ficamos

estressados com as lutas do dia a dia, mas precisamos nos esforçar para estarmos prontos para

acolher os nossos filhos nos momentos em que eles precisarem de um conselho, uma direção

ou até mesmo quando precisarem de um bate papo sobre coisas banais e corriqueiras.

Cabe a nós criarmos as oportunidades para que se estabeleça a diálogo entre pais e filhos,

maridos e esposas, enfim nossas famílias precisam voltar a conversar, pois somente através da

partilha é que podemos conhecer as necessidades daqueles que estão ao nosso lado.

Então… Vamos conversar?

Por: Paulo Wagner – Membro Com. Magnificat

Sobre Cinara Cunha

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