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20 Anos do Novo Catecismo: ‘O homem é capaz de Deus’



Deus criou o homem à sua imagem e o constituiu em sua amizade. Só em Deus o homem pode ter vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira. As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina. Deus o colocou no coração do homem, a fim de atraí-lo a si, pois só Ele pode satisfazê-lo.

No nosso espaço dedicado aos 20 anos da publicação do Novo Catecismo, Monsenhor Antônio Luiz Catelan vai refletir hoje sobre: “O homem é capaz de Deus”

“Depois de termos introduzido o modo como se crê – eu creio, nós cremos – o Catecismo traz um título que pode parecer um pouco enigmático: O Homem é capaz de Deus.

Muitas pessoas se perguntam: mas o que significa ser capaz de Deus?

Este é um ensinamento tradicional do cristianismo que nos vem do tempo dos Santos Padres. Ser capaz de Deus significa ter sido criado, não como um ser absoluto, como um ser sem vínculos, mas ter sido criado por Deus já com a finalidade de ser capaz de ouvir a Palavra de Deus, ser capaz de responder, auxiliado por Deus, a esta palavra e de viver a comunhão com Ele. Ou seja, na própria natureza humana, está a marca do Criador, que deixa na criatura racional, livre, que é o ser humano, deixa como sinal desta sua origem divina e desta sua finalidade para a comunhão com Deus, Deus mesmo deixa alí uma marca que se chama sede de Deus, assim nós costumamos chamar isto. Este desejo do absoluto, este desejo de Deus mesmo que não pode ser preenchido com nada mais, com nenhuma criatura, com nada de nossas obras, nada pode preencher o nosso coração.

Neste sentido, no Livro das Confissões, já no começo, Santo Agostinho começa dizendo: ‘Fizeste-nos para ti Senhor e nosso coração está inquieto enquanto não repousa em ti’. Esta experiência da inquietude do coração, esta experiência da sede de Deus, do desejo de ver a face de Deus, que se exprime em tantos Salmos do Antigo Testamento, cada um de nós pode fazer experiência da sede, do desejo de Deus.

E este desejo, esta sede, Deus que a despertou, que a colocou em nós, não a deixa ser frustrada, não a deixa sem ser cumprida, sem ser preenchida, sem ser plenificada.

Por isto, ao longo da história da humanidade, antes mesmo de Cristo e até antes mesmo de Abraão, da Revelação de Deus no Antigo Testamento, de muitos modos as pessoas fazem com que este desejo se transforme numa verdadeira busca. Buscam a Deus de fato, de muitas maneiras. E estas maneiras da busca de Deus, são as várias religiões da humanidade, tão antigas quanto a própria a humanidade. Não se conhece nenhuma civilização antiga que não tenha deixado alguma marca de sua religiosidade, de sua busca do rosto de Deus, da busca com a relação com Deus.

Estas religiões antigas e também as mais recentes, que perduram, à margem do cristianismo, com a sua tradição própria, elas tem esta marca profundamente positiva mas não são isentas de ambigüidade, assim como também a nossa experiência não é isenta de ambigüidade.

Por isto Deus mesmo vem ao nosso encontro e orienta Ele mesmo, através da revelação, esta busca, mostrando-nos o seu Rosto, revelando o seu Nome, dando-nos a Lei, e sobretudo, na plenitude dos tempos, dando-nos o seu próprio Filho feito homem como nosso companheiro, que pode orientar esta nossa busca para a sua verdadeira realização”.

Monsenhor Luis Antonio CatelanAssessor da Comissão da Doutrina da Fé – CNBB

Fonte: Rádio Vaticano

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